Na Associação Filhos de Aruanda (AFA), o intervalo das oficinas de violão e capoeira reserva um momento sagrado. Enquanto o cheiro do bolo caseiro e o frescor do suco natural tomam conta da mesa, inicia-se uma atividade invisível, mas poderosa: o letramento antirracial.
Para a equipe da AFA, educar vai além dos acordes e dos movimentos. Aproveitamos o momento do lanche para promover o diálogo sobre ancestralidade e o combate ao racismo. É entre uma fatia de bolo e um copo de suco que as crianças e jovens são convidados a refletir sobre sua própria história, reconhecendo a beleza de suas raízes e a força de sua identidade.
Letramento no Dia a Dia
O letramento antirracial na AFA não acontece apenas em palestras formais, mas na convivência. Ao valorizar a cultura afro-brasileira presente na capoeira e na música, e ao oferecer um acolhimento digno, os educadores trabalham a autoestima desses jovens.
"Nós não apenas alimentamos o corpo; nós combatemos o racismo estrutural ao ensinar esses jovens a se orgulharem de quem são. O lanche saudável é um ato de cuidado, e a conversa sobre nossas raízes é um ato de libertação," destaca Tatiane, coordenadora do projeto Raízes em Movimento.
Nutrição com Propósito
Priorizar o suco natural e o alimento feito na hora também faz parte desse letramento. É ensinar que a nossa comunidade merece o melhor, o mais fresco e o mais saudável. Esse ciclo de cuidado — que começa na logística das 40 toneladas de alimentos e chega até a mesa do lanche — é o que garante que a AFA seja um território de segurança, nutrição e resistência cultural em São Vicente.